Este caso talvez seja um dos mais representativos, dentre os que já atendí, na defesa da teoria de que, a despeito do mau prognóstico das situações cirúrgicas tardias para resolução das compressões extra-durais, a abordagem cirúrgica criteriosa deve sempre ser disponibilizada ao proprietário.
Tenho não só lido como ouvido posições inflexíveis de colegas que contra indicam absolutamente as abordagens cirúrgicas de compressões graves com mais de 48 horas de evolução.
A fêmea da raça lhasa apso, de nome MOMO, deu entrada em nosso serviço apresentando histórico de perda progressiva de função neuronal de membros posteriores, com evolução de uma semana e cerca de 72 horas de perda de reflexia de dor profunda.
Seu proprietário, médico cirurgião plástico, conduzia tomografia com imagens que indicavam péssimo prognóstico diante da disfunção neurológica, mas a despeito disto, optava firmemente pela tentativa de descompressão, para a qual atribuímos prognóstico reservado a ruim quanto aos ganhos funcionais.
A imagem tomográfica não contrastada do corte transversal à altura da transição T13-L1, obtida a partir do exame realizado pelo Dr. André Ronaldi (HOVET Sta Inês), mostra grande extrusão de material calcificado, o que, por suas características de densidade, dispensam a mielografia tomográfica.
Impressiona o volume de material que ocupa grande parte do volume do canal vertebral, levando a crer que processo isquêmico grave tenha levado a lesão neuronal irreversível.

Ao lado, detalhe de imagem reitera a extrema ocupação do canal neuronal pelo extrusado discal.
A programação cirúrgica foi de abordagem à esquerda, lado de maior deslocamento do material herniário, com objetivo inicial de hemilaminectomia ou minilaminectomia.
As imagens abaixo mostram os cortes sagital e coronal, que confirmam a gravidade da extruao discal.
O procedimento cirúrgico apoiado pelo exame tomográfico bem realizado permite abordagem precisa do espaço intervertebral a ser abordado, mesmo sem dispormos dos recursos do intensificador de imagem, de uso rotineiro nas abordagens desta modalidade na medicina humana.
Abaixo podemos ver a área dissecada na transição vertebral T13-L1 esquerda e a área em que se intenciona a minilaminectomia, técnica que preserva boa parte da estabilidade intervertebral por não eliminar a relação intervertebral dos processos articulares.
Definida a área de abordagem, procedeu-se minilaminectomia com identificação clara do extrusado calcificado, como mostra a imagem abaixo. Segue instrumentação peridural para descompressão completa do canal medular. A seta inferior mosta o enorme volume extrusado.
Para nossa surpresa, o proprietário, em contato para feed-back de resultado cirúrgico relata que no 3o dia PO, o animal deambula próximo da normalidade. Segundo relato do proprietário:
" No 5o Po pós hemilaminectomia e limpeza do canal medular ela apresenta incisão sem secreção de ótimo aspecto. Não tem dor. A evolução neuro-motora foi impressionante , iniciando deambulação a partir do 4o. po , recuperando aproximadamente 75% da capacidade motora . Resta apenas um "ajuste fino" de propriocepção" (Dr. Roberto Koji - cirurgião plástico) .
O vídeo acima mostra deambulação ao quinto dia de pós operatório.




